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Cáritas Regional Nordeste 2 promove Intercâmbio sobre Reuso de Águas em Puxinanã – Paraíba

Cáritas Regional Nordeste 2 promove Intercâmbio sobre Reuso de Águas em Puxinanã – Paraíba

A ação foi possível graças a parceria da Cáritas Regional NE2 e a instituição católica alemã, Misereor, através do  Projeto Promoção e Defesa de Direitos na Perspectiva da Construção de Sociedades do Bem Viver no Regional NE II

Tratar águas cinzas, aquelas resultantes do banho, da lavagem da louça e da lavagem de roupas e reutilizá-las principalmente para regar plantas, é uma prática que começa a se multiplicar no Nordeste do Brasil, muito apropriada a sua porção semiárida.

Períodos chuvosos irregulares tanto no tempo quanto no espaço e secas cada vez mais severas, tem motivado agricultores e agricultoras experimentadores (as) a colaborar  com técnicos de assessoria e pesquisadores na busca por tecnologias sociais de tratamento de águas servidas e o seu reaproveitamento na agricultura.

Essa motivação também está inserida no Projeto Promoção e Defesa de Direitos na Perspectiva da Construção de Sociedades do Bem Viver no Regional NE II – Projeto da Cáritas Brasileira Regional NE2 em parceria com ainstituição católica alemã, Misereor, com a implantação de sistemas de reúso de águas em comunidades rurais de quatro estados do Nordeste. Além de contribuir com nova oferta de água para uso na agricultura, esses sistemas são muito eficientes e baratos para tratar essas águas residuárias e resolver um sério problema de saneamento rural, a disposição dessas águas sobre o solo, atraindo insetos e outros vetores de doenças.

É certo que em muitas localidades do Semiárido Brasileiro, essas águas são aproveitadas para regar plantas nos quintais, através de valas abertas no solo com baixissímo aproveitamento da água e exposição aos vetores. Para o Senhor Everaldo do Nascimento, agricultor que conduz um sistema de reuso no sítio Grotão em Puxinanã – PB, antes da implantação do sistema, o excesso de água enviado por uma vala, quase matou sua mangueira.

Da mesma forma que se multiplicam experiências de aproveitamento dessas águas residuárias nas comunidades rurais, diversos modelos estão sendo experimentados por instituições de pesquisa e de assistência técnica e extensão rural – ATER. Se por um lado a diversidade de experiências contribui para adaptação dos sistemas as realidades rurais dos Biomas Nordestinos, por outro, produz uma grande quantidade de informações que por vezes provocam confusões quanto ao tipo de tratamento, se é por filtragem da água ou por ação de bactérias anaeróbicas. Se a estrutura é de alvenaria ou por caixas plásticas. Se funcionará aproveitando a gravidade ou terá que usar outro mecanismo, enfim, essas dúvidas, motivaram uma reflexão da equipe do Projeto Misereor no sentido de encolher um desses modelos, visitá-lo e promover um debate entre técnicos de assessoria, pedreiros e agricultores (as), capaz de promover um nivelamento entre as compreensões de todos e todas na escolha do modelo a ser adotado no âmbito do Projeto Misereor, que parece ter sido plenamente alcançado segundo depoimento de Andreza Alves, ADL da Diocese de Guarabira – PB, “O principal objetivo do encontro foi familiarizar os participantes com a tecnologia Bioágua, que era um conceito novo para alguns e um modelo diferente para outros. Foi uma troca de experiências fascinante em que aprendemos sobre a realidade da família em que o bioágua foi implantado, bem como qual modelo foi utilizado e como cada peça da tecnologia foi feito. Foi também uma oportunidade para fornecer aos pedreiros presentes, informações sobre a construção da obra e como foi distribuída na área”, finaliza. Nesse sentido, agricultores e agricultoras, pedreiros rurais, Agentes de Desenvolvimento Local – ADLs e o Assessor Técnico do Projeto Misereor, visitaram o sistema de reuso de águas da famílias do Sr. Everaldo do Nascimento e D. Ana Maria do Nascimento, assessorados pelo CENTRAC, dia 17 de março, na comunidade Grotão,  município de Puxinanã – PB.

O sistema consiste em uma caixa de gordura que coleta as águas cinza da residência, decanta as patículas sólidas e libera a água para o tanque de filtragem e em seguida para o tanque de armazenamento. Do tanque de armazenamento a água é bombeada para uma caixa d´água de PVC para ser disponibilizada para um sistema de micoirrigação de plantas frutíferas e forrageiras.

A cada etapa do sistema apresentado por Antônio Carlos, técnico do Centro de Ação Cultural CENTRAC e seu Everaldo, o grupo realizou perguntas e discutimos sobre a necessidade de adaptações a cada realidade onde os sistemas de reuso serão implantados. Perguntado sobre a eficiência do sistema, Seu Everaldo mostra toda sua satisfação: “Dá para produzir tudo que plantar com essa água”, declara.

 Decimos também dividir a implantação em duas etapas: a primeira etapa constituída das obras de alvenaria (caixa de gordura, tanque de filtragem e de armazenamento de água, base da caixa d´água e instalações hidráulicas). Na segunda etapa, a implantaçao do sistema de irrigação e plantios, dependendo da realizade de cada agroecossistema familiar, da quantidade de água produzida e das preferências de cultivos da família. Para Antônio Carlos, mais conhecido por Toinho, “Só através da troca de experiências entre agricultores e da participação das pessoas é que vamos construir um Semiárido melhor”, conclui.

A ação de implantação de sistemas de reuso de águas segue com a a atividade de cotação de precos dos materiais de construção, escavação dos buracos e conclusão do processo de compras. Compridas essas etapas, iniciarão as atividades de construção e instalação dos sistemas. A medida que o processo de construção for iniciado, será elaborada uma agenda de visitas da Assessoria Técnica as UDTs estaduais para acompanhar as construções e implantar os sistemas de irrigação e cultivos agrícolas.

 

 


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