Coleta da Solidariedade

Lançada na CNBB a 49ª Campanha da Fraternidade

Lançada na CNBB a 49ª Campanha da Fraternidade

No dia 22 de março, na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), com a presença do Ministro da Saúde Alexandre Padilha, a Campanha da Fraternidade de 2012 com o lema: Que a saúde se Difunda sobre a Terra (cf. Eclo 38,8) e o tema: A fraternidade e a saúde pública.

Com temas sempre oportunos a Campanha da Fraternidade foi assumida pelo episcopado em 1964 e marca o início da quaresma. “É um tempo de conversão das mentes, das estruturas”, disse Dom Leonardo Ulrich Steiner, Secretário Geral da CNBB – Bispo auxiliar de Brasília DF.

A cerimônia de abertura foi “uma pequena amostra do que se espera com a 49ª Campanha da Fraternidade: ampliar o debate e suscitar ações que transformem a vida dos menos favorecidos”.

Cáritas Brasileira

Na primeira fala a Diretora Executiva Nacional da Cáritas Brasileira Maria Cristina dos Anjos prestou contas da gestão do Fundo Nacional de Solidariedade de 2011, antes da abertura oficial da Campanha 2012. Cristina abordou a importância de dar visibilidade e transparência para a Campanha da Fraternidade e falou sobre os fundos criados através do gesto concreto e de sua força transformadora.

A Cáritas Brasileira aprovou 320 projetos em 2011 em 3 eixos temáticos: Formação e capacitação; Mobilização para a conquista  efetivação dos direitos e Superação de vulnerabilidade econômica e geração de renda.

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“A Cáritas tem participado ativamente das campanhas da fraternidade, ajudando a organizar e depois, principalmente, no encaminhamento dos projetos. Como a própria palavra diz. “É um modo, um jeito da igreja”.  A Cáritas examina os projetos e partilha o recurso recolhido, a oferta, o gesto concreto feito. A Cáritas tem desenvolvido um papel importante junto ao Secretariado da CNBB e vai ajudar a levar e ampliar os debates para as comunidades mais distantes, por todo o país, a discutir e a rezar. Vamos partilhar”, acrescentou Dom Leonardo.

CNBB

Nas observações da CNBB são significativos os avanços verificados nas últimas duas décadas, na área da saúde pública: aumentou a expectativa de da população, houve uma drástica redução da mortalidade infantil, foram erradicadas algumas doenças infecto-parasitárias próprias de nações subdesenvolvidas, tornou-se mais eficiente a vacinação e o tratamento da AIDS conta com um sistema elogiado internacionalmente.

Mas com a Campanha da Fraternidade de2012, aigreja deseja sensibilizar a todos e todas sobre uma das feridas sociais mais agudas de nosso país: a dura realidade dos filhos e filhas de Deus que enfrentam longas filas para o atendimento à saúde, a demorada espera para a realização de exames, a falta de vagas nos hospitais públicos e a falta de medicamentos. Sem deixar de mencionar a situação em que se encontra a saúde indígena, dos quilombolas e da população que vive nas regiões mais afastadas.

“São situações que contrastam com a dos que têm condições de contratar os serviços dos planos privados de saúde, que já respondem pelo atendimento de um quarto da população”, destacou Dom Leonardo.

Foi justamente “Os desafios da saúde pública no Brasil” o tema abordado pelo Dr. Nelson Rodrigues, Presidente do Instituto de Direito Sanitário Aplicado (IDISA) e Consultor de projetos na organização Panamericana de Saúde (Opas).

Dom Leonardo acrescentou que não é exagero dizer que a saúde pública do país não vai bem. Os problemas verificados na área da saúde são reflexos do contexto mais amplo de nossa economia de mercado, hoje globalizada, que não tem, muitas vezes, como horizonte os valores éticos-morais e sociais. Preocupa a decisão do governo de cortar cinco bilhões da área da saúde, no atual exercício fiscal. E frustrar, ao término da longa discussão da Emenda29, aexpectativa por maior destinação de recursos à saúde.

A Campanha, frisou Dom Leonardo, por focar o sistema de saúde pública, deseja ajudar as pessoas a perceberem a saúde como um dom, incorporando, por isso, hábitos de vida saudável e, ao mesmo tempo, suscitar o espírito fraterno no cuidado com as pessoas doentes.

O Texto-Base da Campanha da Fraternidade reconhece os avanços do SUS, mas não deixa de indicar seus limites. “Melhorar o atendimento no sistema público de saúde brasileiro e diminuir as reclamações em relação ao desrespeito e à dignidade humana, frente à vulnerabilidade  do sofrimento e da doença é um grande desafio a ser enfrentado pelas autoridades sanitárias brasileiras” diz o texto em seu parágrafo 139.  Além disso, é enumerada uma série de outros desafios a serem enfrentados pelo SUS em relação ao acesso, gestão, financiamento e fatores externos.

A última parte do texto da Campanha, após passar por uma análise bíblico-teológica do tema, se dedica a indicar ações concretas a serem assumidas pela sociedade e pelas comunidades (parágrafos229 a261). Uma das ações propostas é a participação da sociedade no controle das políticas públicas para a saúde. “É necessário fortalecer canais de participação efetiva da sociedade e de suas entidades representativas na formulação, implantação e controle das políticas públicas de saúde” diz o texto da CF 2012.

Neste sentido falou Clóvis Adalberto Boufler, gestor de relações institucionais da Pastoral da Criança e membro do Conselho Nacional de Saúde.

“Os espaços dos conselhos serve para educar, informar, comunicar. Metade dos representantes do conselho de saúde é da comunidade A outra metade é de trabalhadores da saúde, prestadores de serviço e governo. O conselho deve se reunir pelo menos uma vez por mês, em espaços que possam contar com a presença de representantes da população. Bom seria se estas reuniões juntassem multidões e fosse um dos eventos mais esperados mensalmente”.

Porém as informações colhidas pela Pastoral da Criança, em mais de mil municípios, que mostram que 30% dos conselhos não se reúnem todos os meses, e assim os problemas e as soluções para a saúde deixam de ser debatidos.

A Campanha da Fraternidade de 2012 pretende promover a participação da comunidade na saúde. Vai enfrentar o desafio de fortalecer os conselhos de saúde para debater as principais causas de morte e de adoecimento das pessoas. Com o estudo destas causas é possível aprender como prevenir as doenças e promover a saúde.

Os temas atuais que a igreja vai debater nos Conselhos de Saúde tratam da violência dentro de casas, que se transformou em um problema de saúde pública, a obesidade, que mostra uma mudança do quadro e que a desnutrição está sob controle na maior parte do país, ainda que existam áreas com altos índices de desnutridos. Porém, a obesidade se transformou na vilã da história. Ela atinge  muitos adultos e começa a se manifestar cada vez mais cedo nas crianças. O excesso de peso atinge uma em cada três crianças entre 5 e 9 anos.

Gravidez na adolescência

A gravidez na adolescência tem sido motivo de grande preocupação para a Igreja, o SUS e para toda a sociedade, pois traz sérias conseqüências tanto para a adolescente como para seus pais e para toda a comunidade. Cerca de 17% das crianças nascem de mães adolescentes e jovens.

“A CNBB foi representada no Conselho Nacional de Saúde pela Dra Zilda Arns por quase duas décadas. Por meio de ações simples, de baixo custo, replicáveis e de alto impacto para a saúde, como fez ao iniciar a Pastoral da Criança, ela aproximou ciência e religião, uniu fé e vida, como costumava dizer. Sabemos que a saúde da alma influencia a saúde do corpo e as pessoas que praticam uma religião diminuem as chances de adoecer”, lembrou Clóvis

O serviço da Igreja na área da saúde foi o conteúdo da palavra do Dr. André Luiz de Oliveira, ex-coordenador nacional da Pastoral da Saúde e membro da equipe do Departamento da Pastoral da Saúde do Conselho Episcopal Latino Americano – DEPAS/CELAM.

O Papa Bento XVI enviou sua mensagem que foi lida na cerimônia de lançamento da Campanha da Fraternidade de 2012:

“Associando-me, pois, a esta iniciativa da CNBB e fazendo minhas as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias de cada um (a), saúdo fraternalmente quantos tomam parte, física ou espiritualmente na Campanha “Fraternidade e Saúde Pública”, invocando – pela intercessão de Nossa Senhora Aparecida – para todos (as), mas de modo especial para os doentes, o conforto e a fortaleza de Deus no cumprimento do dever de estado, individual, familiar e social, fonte de saúde e progresso do Brasil, tornando-se fértil na santidade, próspero na economia, justo na participação de riquezas, alegre no serviço público, equânime no poder fraterno no desenvolvimento. E, para confirma-lhes nestes bons propósitos, envio uma propiciadora Benção Apostólica”.

Dom Leonardo enfatiza que ao abrir a Campanha da Fraternidade 2012, “A igreja Católica espera contribuir para que a saúde se difunda sobre a terra de Santa Cruz. A Campanha da Fraternidade será uma palavra de incentivo aos gestores e demais profissionais da área da saúde pública, lembrando que devem ser os “Bons Samaritanos” junto aos enfermos, e, por isso mesmo, precisam ser valorizados em sua missão”.

Compôs a mesa junto do Ministro da Saúde Alexandre Rocha Santos Padilha e de Dom Leonardo Ulrich Steiner, Pe Luiz Carlos Dias, Secretário Executivo da Campanha da Fraternidade.

O lançamento da campanha teve ampla cobertura da mídia católica e nacional e contou também com a presença de autoridades do governo do Distrito Federal e de diversos membros da Igreja no Brasil.

“QUE A SAÚDE SE DIFUNDA SOBRE A TERRA”.

por Ricardo Piantino, assessor de Comunicação da Cáritas Brasileira / Secretariado Nacional


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