Cáritas Brasileira Regional NE2 avalia ações com Migração e Refúgio

Em resposta à crise humanitária que se instalou no Brasil, em 2017, com a chegada de milhares de migrantes venezuelanos às cidades de Boa Vista e Pacaraima, no norte do país, a Cáritas Brasileira, entidades da sociedade civil e organizações governamentais desenvolveram ações emergenciais e programas para acolhida e integração dessas famílias em todo o país.
No nordeste do país especificamente nos estados que integram a Cáritas Brasileira Regional Nordeste 2- (Alagoas, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte) – as ações de acolhida e integração as centenas de famílias que aportaram nestes estados, foram pautadas na Missão em ser Cáritas, ou seja, junto as pessoas em situação de vulnerabilidade e exclusão social. Em Recife através do Programa Pana, mais de 200 famílias foram acolhidas; nos estados de AL, PB, PE e RN com uma demanda espontânea estima-se que cerca de mais de 800 famílias estejam fixas ou migrando entre estes estados.
Apesar do acolhimento ter sido imediato e as famílias protegidas e integradas à sociedade, há necessidade de ampliar, fortalecer, preparar e consolidar ainda mais as ações desenvolvidas pelas entidades membro (EM) no Regional Nordeste 2. Assim, nos dias 20 e 21 de fevereiro, a sede da CBNE2 recebeu representantes das EM dos quatro estados, para discussão do Programa de Migração e Refúgio para as entidades que compõem o Nordeste 2, independente de experiência com migração e refúgio.
“Somos Igreja e nosso papel é construir pontes e não muros. Nossos irmãos migrantes e refugiados, precisaram sair da sua realidade e vieram bater a nossa porta. A Cáritas Regional e nós em Natal buscamos atender o pedido do Papa Francisco, mas precisamos avançar mais, na construção dessa temática”, declarou Kilza Gomes, agente da Cáritas Arquidiocesana de Natal e integrante do Conselho Regional da CBNE2.
Durante os dois dias agentes Cáritas apresentaram as experiências, debateram a atual realidade, as ações desenvolvidas, e os desafios das EM que acolheram os migrantes e refugiados, em sua maioria famílias venezuelanas vindas da crise em seu país.
Para a secretária regional da CBNE2, Neilda Pereira, ”a proposta do Programa de Migração e Refúgio do Regional não é ser a solução, mas a construção de passos que possa ser referência para a rede. Ele aponta os caminhos para uma realidade que é diferente da nossa em todos os aspectos, e neste ponto, precisamos estar preparados para acolher os nossos irmãos não importa a etnia”, comenta.
Para a construção, os agentes participaram de três momentos: experiências com os migrantes, onde foram apresentadas a atual realidade- das entidades membro; formativo, com considerações sobre migração internacional, Projeto Acolhida (governo federal), e incidências políticas; e por fim, análise no Marco Referencial da Cáritas Brasileira, documento que aponta as diretrizes e dimensões para a ação Cáritas.
Com o nome Programa de Migração e Refúgio – Acolher, proteger, promover e Integrar. O instrumento foi baseado em eixos que proposto na construção norteiam as principais ações para atendimento integral aos migrantes e refugiados, são eles: Emergencial, Empregabilidade, Incidência Política e Formação.
Dentro destes eixos o plano irá conduzir atividades desde a acolhida, com informações básicas de localização, contatos emergenciais; a sensibilização e fomento de espaços de discussão de políticas públicas, a ampliação de parcerias.
Participaram agentes da Cáritas Arquidiocesana de Alagoas Maceió (AL), Cáritas Diocesana de Campina Grande (PB); Cáritas Arquidiocesana de Olinda e Recife e Cáritas Arquidiocesana de Natal (RN) e agentes da Cáritas Brasileira Regional NE2.
Migração e Refúgio
Durante o VI Fórum Internacional sobre Migração e Paz com o Papa Francisco, em 2017, em Roma, o Pontífice apresentou entre outras coisas, quatro verbos que podem ser considerados como uma espécie de programa para a Pastoral dos Migrantes são eles: acolher, proteger, promover e integrar.
Para garantir “acolhida, proteção, promoção e integração”, a Cáritas Brasileira criou o Programa Pana com o apoio da Cáritas Suíça e o do Departamento de Estado dos Estados Unidos. O Pana tem como objetivo contribuir com a assistência humanitária e a integração de migrantes e refugiados, em especial os venezuelanos, que estão em situação de vulnerabilidade social, que buscam reconstruir a vida no Brasil.