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Cáritas Regional Nordeste 2 participa de visita em território afetado por impactos dos parques eólicos

Cáritas Regional Nordeste 2 participa de visita em território afetado por impactos dos parques eólicos

A visita ocorreu no município de Caetés e contou com a presença de comitiva de parlamentares da Assembleia Legislativa de Pernambuco 

Na última sexta-feira, 06, a Cáritas Regional Nordeste 2 participou de uma visita ao município de Caetés, Agreste Pernambucano, com o objetivo de conhecer as supostas “ações de compensação” das empresas que têm implementado parques eólicos no estado e os impactos causados nas famílias agricultoras e suas propriedades.

Participaram da visita o articulador regional da CBNE2, Israel Júnior, Walmar Jucá, assessor jurídico no Projeto Promoção e Defesa de Direitos na perspectiva da construção de sociedades do Bem-Viver; parlamentares da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), bem como representantes da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado de Pernambuco  (FETAPE), dos Sindicatos de Garanhuns e Caetés, do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA),  e da Turma de Residência Multidisciplinar.

Durante a visita, o grupo conheceu estruturas que foram doadas como compensação pela empresa responsável à comunidade afetada, entre eles, um parque de diversões que foi construído pela empresa após a chegada do parque eólico, e que atualmente encontra-se abandonado e sem uso, visto que a área é um risco para crianças por estar embaixo dos fios de transmissão de energia.  Uma outra ação de compensação está relacionada à captação de água através de poços. Contudo, o município de Caetés não tem água de subsolo, e o resultado é que os poços não encontraram água com qualidade e quantidades suficientes para o consumo das famílias.

A comunidade também fez um relato para o coletivo sobre os principais danos causados após a instalação das torres, destacando principalmente os ruídos sistemáticos produzidos pelos aero geradores que causam diversos problemas como: rachadura nas casas, ansiedade, depressão, dificuldades de audição, aborto animal, redução da produção leiteira, diminuição na produção de ovos, dificuldade para aposentadoria rural, entre outros.

Outra forma de compensação pelos danos foi a proteção acústica em algumas residências, porém as casas mais afetadas, por estarem fora do contrato de arrendamento, acabaram ficando sem o benefício e sentindo diretamente os impactos no seu cotidiano. “O problema principal é que muitas pessoas estão adoecendo, com depressão, ansiedade, surdez, noites mal dormidas, que causam irritação e comprometem a produtividade. Em decorrência desses fatos, os preços das propriedades próximas às torres de aerogeradores despencaram. Mesmo quem quer vender não encontra compradores e quando encontra o preço é insignificante”, reforça Walmar Jucá.

Um encaminhamento importante da visita foi a declaração dos parlamentares de que iriam apresentar um projeto de lei para proibir a instalação de torres a cerca de 500 metros das casas. Esse projeto de lei, que já está em tramitação na Comissão de Constituição, Legislação e Justiça da Alepe, conta com as contribuições de diversos atores que militam na questão da energia eólica.


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