Cáritas NE2 realiza diagnóstico familiar em comunidade onde Dom Hélder Camara iniciou processo de reforma agrária no estado de PE

Os agricultores da Comunidade Taquari irão participar de um mapeamento do seu território visando a implementação dos quintais ecoprodutivos em suas residências
“Quando dou comida aos pobres, me chamam de santo. Quando pergunto porque eles são pobres, chamam-me de comunista”. Dom Hélder Camara. Seguindo os passos do Dom da Paz, fundador e patrono da Cáritas Brasileira que entre seus princípios defendia a segurança alimentar e nutricional para todas as famílias, a Cáritas Brasileira NE2 através do Projeto Quintais Ecoprodutivos, realiza uma parceria com o Complexo Industrial e Portuário de Suape para atender 300 famílias em oito municípios do estado de Pernambuco.
Antes da implantação das ecotecnologias (quintais) foram realizadas as etapas de mobilização nos municípios contemplados pelo projeto, Moreno, Sirinhaém, Escada, Ribeirão, Ipojuca, Rio Formoso e Cabo de Santo Agostinho, para em seguida iniciar as visitas às comunidades sugeridas pelas Comissões Municipais, coletivo composto pelos representantes dos governos municipais, sociedade civil e por representantes das paróquias locais.
Entre elas, está o Engenho Taquari, em Sirinhaém. O local foi uma área em que Dom Hélder Camara iniciou nos anos 80 um processo de distribuição de terras (reforma agrária), que são cedidas à população, e possui inclusive áreas de produção coletivas geridas pela Associação de Trabalhadores Rurais de Sirinhaém no Engenho Taquari.
Cada uma das famílias beneficiadas em Sirinhaém passou por um processo de diagnóstico semelhante em que os agentes Cáritas fizeram junto com os agricultores e agricultoras um mapa da propriedade , criaram uma linha do tempo em que os membros da família irão colocam os momentos mais importantes da construção do seu agroecossistema. O processo será repetido em todos os municípios de atuação do projeto Quintais Ecoprodutivos.
Após o diagnóstico familiar, com a definição das ecotecnologias que serão implantadas, o próximo passo será a construção dos quintais ecoprodutivos. No município de Sirinhaém, a família de Dona Edna Maria da Silva e Seu Amauri foi uma das primeiras a participar do processo de diagnóstico familiar. Eles contam uma história de muita superação, que ainda está em processo, já que o grande sonho da família é inaugurar no espaço da casa um restaurante, onde eles possam também receber visitas e mostrar algumas das ecotecnologias que vêm sendo construídas.
Localizada em frente a uma antiga igreja deixada por Dom Helder para a comunidade, a casa hoje conta com uma grande diversidade de animais como ovelhas, porcos, cavalo e uma bezerra. O principal produto vendido pela família são as polpas de diversas frutas, que Seu Amauri conta que começou a produzir meio que jogando os caroços no quintal e hoje estão se tornando um sistema agroflorestal.
No dia da visita dos agentes Cáritas, ele ficou muito feliz ao receber uma formação sobre como economizar sacos plásticos produzindo mudas com folhas de bananeiras. O técnico de campo, Claudemir Ferreira, mostrou como dividir duas mudas que estavam crescendo juntas, para isso utilizou somente um pouco de barro e pedaços de folha de bananeira para envolver as plantas sem utilizar nenhum plástico. “Assim, você pode colocar tudo na terra e as raízes vão conseguir crescer”, explica.
Eles sonham com o projeto Quintais Ecoprodutivos para participar do processo para construção de um fogão ecológico, que irá ajudar a diminuir os custos com gás de cozinha.