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A Solenidade da Santíssima Trindade é o ensinamento do amor ao próximo

A Solenidade da Santíssima Trindade é o ensinamento do amor ao próximo

[…] ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei! Eis que eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo” (Mt 28, 19-20)

A Igreja celebra três solenidades seguidas após o tempo pascal, a saber: Ascensão do Senhor, Pentecostes e Santíssima Trindade. O que estas três celebrações querem nos ensinar ou para o que querem chamar nossa atenção.

No Evangelho lido na solenidade da Ascensão, vemos o envio de Jesus para que saiamos do nosso lugar e anunciemos a Boa Nova a toda criatura (Cf. Mc 16,15-20). No Evangelho da solenidade de Pentecostes, observamos uma cena assaz interessante. Os cristãos por medos dos judeus se fecham, Jesus entra e diz: “A paz esteja convosco”, mostra as mãos e o coração, depois os envia (Cf. Jo 20,19-23). No Evangelho de Santíssima Trindade, mais um envio, ide e fazei discípulos.

Há uma relação muito íntima entre estas solenidades. Talvez possamos afirmar que o ápice dessa tríade celebrativa seja o reconhecimento da relação de amor que o Deus Uno e Trino quer nos ensinar. Se não conseguirmos observar o movimento de amor que há entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo, não conseguiremos sair do nosso comodismo e anunciar a Boa Nova. O Papa Francisco inspirado em São Boaventura afirma que: “Para os cristãos, acreditar num Deus único que é comunhão trinitária, leva a pensar que toda a realidade contém em si mesma uma marca propriamente trinitária” (Laudato Si’, n. 239). O grande desafio é sabermos ler o mundo. Assim, é preciso a disposição de darmos um passo e a partir da fé que temos no Deus Uno irmos ao encontro da realidade humana. O Pai é o fundamento amoroso de tudo que existe, o Filho é reflexo perfeito e a palavra criativa do Pai, o Espírito é vínculo infinito de amor. Podemos dizer que Deus é trindade amorosa.

O Compêndio da Doutrina Social da Igreja destina quatro passos específicos para a reflexão sobre o amor trinitário, origem e meta da pessoa humana. A primeira assertiva é que a partir da Revelação em Cristo do amor trinitário se revela também a nossa vocação ao amor. Ora, revelar nossa vocação ao amor é deixar claro a nossa dignidade e nossa liberdade. Somos, portanto, livres para abraçar e amar o outro em sua integralidade, sem que o tenhamos que moldar aos nossos desejos. Talvez seja esse o nosso maior desafio. Amar o outro como ele é.

Refletir que Deus é relação íntima de amor é perceber que também fomos criados para amar. É-nos incutido um dinamismo semelhante ao da trindade, um dinamismo que nos faz viver a comunhão com Deus, com o outro e com a Natureza. Deixar-se envolver com esta solenidade é, muito mais do que falar da trindade, extrair dela a capacidade de amar, de ser um homem caritativo ou uma mulher caritativa.

Observar tudo o que nos ensinou Jesus, para daí poder anunciar. E o que o mestre nos ensinou? Foi a estar de mãos postas diante de um padre, também de mãos postas? Será que o mestre nos ensinou as regras da boa pronúncia do latim? Será que o mestre nos ensinou a acumular dinheiro para nos vangloriar? O mestre nos ensinou a condenar o outro por ser diferente? O mestre nos ensinou a colocar peso na vida do outro, enquanto nós mesmos não podemos? Não, nada disso. O mandamento que resume todos os outros: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Gl 5,14).

Por Klédson Tiago Alves de Souza | Agente da Cáritas Diocesana de Caicó (RN)

Ícone extraído do site A12.com


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