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Agentes Cáritas discutiram importância da escuta avaliativa do Marco referêncial

Agentes Cáritas discutiram importância da escuta avaliativa do Marco referêncial

Por Comunicador@s Cáritas Brasileira

Escutar as vozes de suas bases tem sido uma opção metodológica da Cáritas em seus 63 anos de presença na vida das pessoas mais empobrecidas do país. Entre debates, reflexões e diálogos, o processo de escuta preparatório para a Assembleia aconteceu durante todo o ano, envolvendo as entidades-membro em todas as regiões do país e culminando nos últimos dias em Teresina, quando foi apresentada a síntese desse processo.

Desde o início do ano, os agentes da Cáritas Brasileira se debruçaram sobre o Marco Referencial da entidade, documento construído na última Assembleia Nacional, em 2016, em Aparecida (SP). O processo de escuta teve como objetivo refletir sobre a identidade da Cáritas; discutir os princípios para o aprimoramento nos campos jurídico, institucional e político; refletir sobre as diretrizes gerais, a missão e as orientações estratégicas; além de avaliar os espaços auxiliares de gestão.

No último dia da Assembleia (22), o consultor da Cáritas Brasileira para a área de atuação Meio Ambiente, Gestão de Risco e Emergência (MAGRE), José Magalhães de Souza, e a assessora da Cáritas Regional Minas Gerais e coordenadora da Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA), Valquíria Lima, destacaram alguns pontos importantes que surgiram no processo da escuta avaliativa do Marco Referencial.

Entre eles, Magalhães ressaltou a identidade eclesial da Cáritas. “Ainda é importante dizer para quem não se convenceu disso, que a Cáritas é um organismo da Igreja. Não é um apêndice, isso é explicitamente declarado pela Santa Sé e pelo Vaticano”, afirmou. Ele reforçou que a sustentabilidade deve ser uma área permanente para a rede Cáritas, a qual a comunicação tem um papel fundamental. “Ao trabalhar a sustentabilidade, devemos constituir uma política de comunicação no país. Pensar a comunicação para a transformação social”, disse.

Segundo Valquíria Lima, o processo de escuta valoriza o trabalho das bases da rede Cáritas e serve como referência para a ação nos próximos anos. “Precisamos olhar nossos avanços com esperança. Somos uma instituição que trabalhamos com 12 áreas temáticas, isso é potência, capilaridade e presença com os empobrecidos”. Valquíria também destacou elementos sobre a identidade da Cáritas, que foram levantados a partir das escutas. “O rosto da Cáritas é o rosto dos empobrecidos. É o dos agricultores, dos quilombolas, das pessoas em situação de rua, dos migrantes, das pessoas mais discriminadas da sociedade. Estamos lá porque temos uma diversidade de ação que chega ao encontro dessas pessoas”, disse.

Valquíria também reforçou a importância da formação e das ações de incidência política. “Precisamos fazer uma incidência que fortaleça nossos espaços de participação popular, redes fóruns, conselhos, movimentos sociais. Fazermos incidência e mobilização social juntos”, afirmou. No processo de escuta, ela também apontou os elementos da mística e da espiritualidade libertadora, destacando que a rede Cáritas não pode perder sua inspiração nas religiosidades populares.

Ao concluir sua fala, Magalhães esperançou ao citar o poeta e dramaturgo pernambucano Ariano Suassuna: “Não sou nem otimista, nem pessimista. Os otimistas são ingênuos e os pessimistas amargos. Sou um realista esperançoso. Sei que é para um futuro muito longínquo. Sonho com o dia em que o sol de Deus vai espalhar justiça pelo mundo inteiro”.


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