Carta alerta para modelo de expansão dos “negócios do vento” no semiárido Potiguar e Seridoense

O documento foi aprovado em plenária, com mais de 150 pessoas, no “I Seminário regional a vida pulsa no Seridó”, realizado no dia 25 de julho em Caicó, Rio Grande do Norte
“Nosso potencial genético e ambiental regional do Seridó não pode ser facilmente transportado com os ventos dos megaprojetos eólicos e fotovoltaicos”. O trecho está expresso em documento aberto, a Carta do Seridó: a vida pulsa no semiárido. Assinada, entre outras, pela Cáritas Diocesana de Caicó, a Diocese de Caicó, Cáritas Brasileira Regional NE2, Universidade Estadual do Rio Grande do Norte – UERN, Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN, Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado do Rio Grande do Norte – FETARN e Agência de Desenvolvimento Sustentável do Seridó – ADESE. O texto reafirma a necessidade do restabelecimento de políticas públicas adequadas e a ampliação de ações para a garantia permanente da convivência digna, sustentável e plena com o semiárido potiguar e seridoense. “o contexto do semiárido potiguar e seridoense necessita urgentemente de ações que resguardem o potencial da biodiversidade regional para seu desenvolvimento sustentável, de modo a possibilitar os compromissos da transição ecológica e solidária de longa duração”.
Desse modo, a carta aponta ser essencial para reconhecer as propostas do Macrozoneamento Ecológico-Econômico da Bacia Hidrográfica do Rio Piancó-Piranhas-Assú, produzido e idealizado pelo Governo do Estado do Rio Grande do Norte, a partir de estudos científicos e das oficinas com as comunidades locais desse território; criar e estabelecer áreas protegidas na região do Seridó, buscando qualificar a gestão das Unidades de Conservação Estaduais com a capacitação dos agentes sociais diretamente envolvidos nesse território; fomentar Unidades de Conservação em nível municipal no estado potiguar; considerar a necessária adaptação às mudanças climáticas e avanço da desertificação nos programas governamentais, reconhecendo os impactos de atividades econômicas e da convivência com o semiárido, e assim, definir estratégias de desenvolvimento na região; e identificar, resguardar e promover o patrimônio cultural e natural do semiárido potiguar, e em especial da região do Seridó, com possibilidade de capacitação e promoção dos agentes sociais nas comunidades locais.
O conjunto de entidades e a sociedade civil organizada responsável pela elaboração do documento aberto, destacou também que o Seridó possui atualmente como projeto de desenvolvimento sustentável, à institucionalização de um Geoparque reconhecido pela UNESCO, tendo sua maior visibilidade internacional, “ao passo que, o turismo histórico, cultural e ecológico tem sido implementado cada vez mais com a inclusão dos agentes sociais desse território”.
A ideia é alertar que os projetos eólicos e fotovoltaicos, mesmo que sejam importantes como fontes de energias renováveis, que chega para mitigar o efeito estufa, não são isentos de impactos sociais, ambientais, antropológicos, geológicos. É necessário um zoneamento ecológico e econômico que defina as áreas possíveis de receberem esses investimentos e quais as áreas são necessárias serem reservadas para produção de alimento, para garantia da biodiversidade, para garantia da continuidade da cultura local, preservando o patrimônio antropológico.
Leia carta na íntegra clicando aqui
Assinam esta Carta Aberta:
1-Antônio Carlos Cruz Santos – Bispo da Diocese de Caicó – RN
2-Manoel Cirício Pereira Neto – Universidade do Estado do Rio Grande do Norte
3- Procópio de Lucena – Engenheiro Agrônomo, ADESE-SEAPAC
4-Sandra Kelly de Araújo – Universidade Federal do Rio Grande do Norte
5-Rebecca Luna Lucena – Universidade Federal do Rio Grande do Norte
6-José Carlos Martins da Silva – Cáritas Diocesana de Caicó
7-Silvana Barbosa de Azevedo – Cáritas Diocesana de Caicó
8-Paulo Ambrósio de Medeiros Júnior – Cáritas Diocesana de Caicó
9-Inácio Libânio de Medeiros Araújo – Cáritas Diocesana de Caicó
10-Bruna Suianne – Cáritas Brasileira Regional Nordeste II
11-Ana Aline Morais – Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado do Rio Grande do Norte – FETARN;
12-Francisco de Assis Araújo – Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado do Rio Grande do Norte – FETARN;
13-José Rafael da Silva – Agência de Desenvolvimento do Seridó – ADESE
14-Moema Hofstaetter – Doutora em Turismo e Desenvolvimento/UFRN
15-Rani Priscila de Sousa – Seridó Vivo
16-Joadson Vagner Silva – Seridó Vivo
17-Paulo Henrique Dantas Marinho – Biólogo e Doutor em Ecologia/UFRN, membro do Projeto Caatinga Potiguar e colaborador do Seridó Vivo
18-Julie Antoinette Cavignac – Chefe do departamento de Antropologia da UFRN e presidente do Conselho Consular (Recife) e Conselheira do Franceses (Brésil 2)
19-Leandro Vieira Cavalcante – Geógrafo, professor da UFRN/Caicó
20-Helder Alexandre Medeiros de Macedo – Historiador, professor da UFRN/Caicó
21-Francisco Marques da Silva – Geógrafo, professor da rede pública
22-Geovani Robson Medeiros – Team da Serra Ecoturismo
23-Iranildo Silva de Souza – Graduando em Geografia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN, Servidor Público Estadual da SESAP/RN
24-Fernando Henrique de Medeiros Fernandes – Mestre em Ciências Ambientais/IFRN e Presidente da Agência de Desenvolvimento Sustentável de Florânia – ADESF
25-Orquídea Costa de Araújo – Geógrafa, Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Caicó
26-Joane Batista – Rede MangueMar – Rio Grande do Norte
27-Ariane de Medeiros Pereira – Mestre em História/UFRN. Carta do Seridó: a vida pulsa no semiárido