Notícias

Eucaristia: Pão da Unidade e Pão da Justiça

Eucaristia: Pão da Unidade e Pão da Justiça

Festa de Corpus Christi é o momento em que toda a igreja re-memora a humildade de Cristo que se faz pão para alimentar a humanidade. Esta festa foi instituída pelo Papa Urbano IV em 1264 através da bula Transiturus de mundo. Destarte, a festa da Eucaristia acontece após a oitava de Pentecostes. Depois em 1317 o Papa João XXII pela constituição Clementina deu a obrigatoriedade da procissão em vias públicas oficializando, assim, a Festa de Corpus Christi, sendo celebrada sempre às quintas-feiras após a Solenidade da Santíssima Trindade. Bom, mas não é o nosso objetivo aqui tratar da história, por mais que reconheçamos ser importante.

A primeira coisa que precisamos definir é o conceito de Eucaristia. A palavra do Latim EUCHARISTIA, do Grego EUKHARISTHIA, “gratidão, agradecimento”. Eucaristia é ação de graças.

No Brasil de hoje podemos pensar que não há tantos motivos para agradecer. Estamos em Crise. Esta é a afirmação mais utilizada nos últimos tempos. Crise ética, crise política, crise econômica, crise ecológica, etc., são muitas as crises que devemos passar. A crise deve ser entendida como ponte, pois da crise somente algo bom poderá despontar. Desta forma, é possível encontrar motivos plausíveis para agradecermos. Este momento pode ser propício para que a juventude se sensibilize e compreenda que a força da mudança, a força para sair da crise está em suas mãos, e mediante isso louvarmos. Depois, outro motivo de agradecer está na vida de cada pobre que não perde sua dignidade com a vida sofrida que leva. Os pobres são sempre os mais prejudicados, mas são aqueles que mais entendem concretamente o que é ser resiliente. Sabem bem o que é fazer três caroços de feijão alimentar uma família, e ainda sim, ter a felicidade nos olhos a brilhar.

A Eucarística, como Corpo do Senhor, é, como nos lembrou em 2017 o Papa Francisco: “o memorial do amor de Deus”. Fazer memória da presença real de Jesus Cristo na matéria do pão e do vinho. Qual é o pano de fundo dessa presença de Deus em coisas tão singelas? Para essa pergunta só há uma resposta: o seu plano de amor: “Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 16). O plano de amor de Deus é para todos. O Compêndio da Doutrina Social da Igreja nos diz: “A salvação que, por iniciativa de Deus Pai, é oferecida em Jesus Cristo e é atualizada e difundida pelo Espírito Santo, é salvação para todos os homens e do homem todo: é salvação universal e integral” (n. 38). Aqui percebemos os rasgos da unidade e da justiça. Somos unidade, um corpo constituído por vários membros que se dispõe um ao serviço do outro. O pé não está a serviço de si mesmo, ele está a serviço do seu corpo. Da mesma forma a mão, os braços e etc… Somos múltiplos, mas formamos um só corpo, que é universal. Por isso que, Deus não quer salvar alguns, ele quer salvar todos e cada um em sua integralidade.

Pensar a festa da Eucaristia sem que com isso não façamos uma re-flexão sobre o princípio de comunidade e mais intenso ainda o princípio de justiça, é esquecer o motivo máximo do memorial da paixão, morte e ressurreição de Cristo, o amor pela humanidade. Viver em comunidade é responsabilizar-se pelo outro. Tal como o povo no deserto recolhia o maná caído do céu e o partilhava em família (cf. Ex 16), somos chamados a partilhar. É muito gratificante ver os membros de uma comunidade se reunirem para traçar estratégias de melhoramento na vida daqueles que são esquecidos. Quando pensamos em celebrar a Eucaristia, devemos pensar em celebrar a solidariedade. Jesus se faz Pão da unidade. Pensar dessa forma é tirar do seio da comunidade qualquer ambição de vencer ou prevalecer sobre os outros. Outra lógica à do tempo atual. “Todos que criam estavam unidos e tinham tudo em comum” (At 2, 44). Ser comunidade é estar unido e ter a partilha como máxima da vivência social. Por isso podemos cantar que: “comungar é tornar-se um perigo”, num mundo em que o individualismo e a exploração (em suas vastas dimensões) estão presentes, somos perigosos! Comungar é fazer valer o amor de Deus, é encarnar em si o Pão da Unidade e o Pão da Justiça.

Por Klédson Tiago Alves de Souza | Agente da Cáritas Diocesana de Caicó (RN)

Foto extraída do site Vatican News (Media)


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *