Exposição itinerante apresenta impactos das torres eólicas em comunidades ruraiiis nos estados de Pernambuco e Paraíba

Embora a energia eólica – aquela gerada pela força dos ventos – seja reconhecidamente uma fonte de energia limpa e renovável, existem alguns problemas e efeitos pouco conhecidos pelo público em geral. A emissão de ruído pelas hélices das torres, que gera distúrbios do sono, enxaqueca e estresse; interferência nas rotas de aves; modificação da paisagem natural e estresse cultural, com conflitos comunitários associados à alteração do modo de vida tradicional (pescadores, agricultores, quilombolas, indígenas); danos aos sistemas ambientais litorâneos, que levam ao desmonte e à compactação de dunas e do solo, aterramento de lagoas interdunares e remoção de vegetação , são alguns dos impactos causados pelas torres eólicas na vida das famílias e comunidades rurais, tradicionais e quilombolas nos estados de Alagoas, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte.
Sensibilizada em alertar, promover e conscientizar sobre os impactos socioeconômicos, ambientais e de saúde causados pelo atual modelo de implementação dos megaprojetos de energia eólica nos estados de atuação da Cáritas do Regional Nordeste 2, organismo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) está promovendo a Campanha Contra os Impactos dos Parques Eólicos no Regional NE2, em parceria da Cáritas com a instituição católica alemã Misereor.
Lançada em fevereiro deste ano a campanha vem apresentando o sofrimento das comunidades atingidas pelos impactos através da websérie e da exposiçãlo itinerante “Pra que sopram os ventos?” , nestes estados do nordeste.
Começando em Pernambuco, a exposição foi apresentada no hall da biblioteca da Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP), com debate sobre os impactos no território de Caetés onde o parque eólico está instalado. O momento contou com a participação do Defensor Público Federal , André Carneiro Leão; do professor da UFPB e coordenador do Projeto Dom Quixote , Fernando Maia; e das agricultoras do município de de Caetés (PE), afetadas com o impactos das éolicas , Roselma Santos e Adalia Silva.
Em seguida a exposição aportou na Universidade Federal da Paraíba (UFPB) no campus do Centro de Ciências Sociais Aplicadas da UFPB (CCSA), e contou com a parceria do corpo docente, e participação da comunidade escolar e alunos do curso de engenharia de energia renováveis nas rodas de conversa sobre os impactos na vidas das pessoas, os contratos abusivos, e a importância das fontes de energia renováveis.
Para Bruna Suianne, assessora regional da Cáritas Brasileira NE2 , “ a campanha tem como objetivo sensibilizar a todos sobre os impactos causados pela instação dessas torres, como sociais, socio-economicos, e ambientais. Importante reforçar que não somos contra as energias renováveis , queremos apenas abrir um diálogo para um modelo de energia que respeite as comunidades, a justiça social, e o bem viver”, finaliza.
Por fim Luana Cisneiros, aluna do 5º período do curso de engenharia de energias renováveis da UFPB que participou de uma das roda de conversa ,“ a exposição está muito legal, com imagens lindas e bem provovantes. Os assuntos debatidos nas rodas de conversa foram pertinentes tanto para reflexão desses impactos nas vidas famílias e do entorno também. Não é apenas ter energia limpa, mas o que deixamos como rastro com a instalação dessa energia”, comenta.
A exposição continua na Paraíba nos próximos dias 28 e 29 de abril. Na sequência a exposição “Para quem sopram os ventos?” segue para os estados de Alagoas e será aberta ao público , de 2 a 6 de maio , das 9h às 17h, na Biblioteca central da Universidade Federal de Alagoas- UFA, localizad Rodovia Br 101 Sul 1330 – Cidade Universitária, Maceió , e por fim, encerra a apresentação nos estados do NE2 no Rio Grande do Norte , de 10 a 12 de maio.
A campanha também lançou uma Carta Aberta que pretende alertar a sociedade, organizações da sociedade civil, e canais de comunicação sobre os impactos sociais e ambientais que os grandes empreendimentos eólicos vêm causando , e o discurso disseminado pelas empresas que as energias renováveis como fontes de energias limpas e que não causam impactos. A Carta Aberta está disponível para assinatura no site da Cáritas Brasileira NE2 ( www.caritasne2.org.br).