Lançamento da campanha internacional da Cáritas NE2 e Misereor sobre impactos da implantação de parques eólicos em estados do Nordeste sensibiliza sociedade e organizações

A campanha foi lançada nesta terça-feira, 22, através do canal do YouTube da CBNE2 e fará ecoar as vozes das comunidades afetadas, através de uma websérie documental, debates em espaços virtuais e exposições fotográficas
Nesta terça-feira, 22, A Cáritas do Regional Nordeste 2, organismo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), lançou através de uma live em seu canal do Youtube a campanha internacional sobre impactos dos parques de energia eólica nos territórios nordestinos de Alagoas, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte, estados de atuação da instituição. A iniciativa acontece através do projeto “Promoção e Defesa de Direitos na Perspectiva da Construção de Sociedades do Bem Viver”, parceria da CBNE2 com a instituição católica alemã Misereor.
O momento foi marcado com a presença da sociedade civil, imprensa e organizações da sociedade civil de vários estados brasileiros, além de Madeleine Brock, representando a instituição católica alemã, Misereor, parte da equipe de gravação da websérie, pesquisadores , professores ligados ao tema das eólicas, e agentes da Cáritas Brasileira. Durante o lançamento, várias falas tiveram destaque, como a de Adriano Martins, coordenador de Programas do Centro Assessorias e apoio a iniciativas sociais (CAIS), que reforçou a forma sorrateira de implementação desses megaprojetos. “Tivemos o desafio de dar visibilidade aos impactos negativos da implementação desses megaprojeto eólicos, é uma ideia muito boa a energia renovável, mas quando ela chega e se implementa nos municípios ela mostra uma lógica na linha de exploração e colonização, sem informação qualificada beneficiando os próprios empreiteiros de forma abusiva”, declarou.
A campanha em linha geral, busca alertar e trazer à tona o sofrimento das comunidades tradicionais, rurais e ribeirinhas atingidas pelos impactos socioeconômicos, ambientais e de saúde causados pelo atual modelo de implementação dos megaprojetos de energia eólica, além de ampliar o debate sobre a importância de repensar novas formas de geração da energia limpa e descentralizada, que respeitem as comunidades e promovam o Bem Viver das famílias dessas localidades.
Para Moema Hofstaetter, pesquisadora e integrante do Núcleo do Fórum de Mudanças Climáticas e Justiças Socioambientais no Rio Grande do Norte, “ é urgente descarbonizarmos a economia e pararmos de produzir CO2, mas precisamos diversificar nossa matriz energética, e debatermos sobre consumo, e a pergunta inicial: energia para quê? E para quem? Retrata bem esse debate que merece ser feito, mais importante que produzir energia limpa é a manutenção do nosso ecossistema e do modo de vida das nossas populações que estão tendo sua cultura e meios de vidas afetados e extintos nesse processo abusivo de implantação”, finaliza.
Próximos passos
Corroborando ainda com o objetivo geral, a campanha contará com outros produtos de conscientização e sensibilização desenvolvidos para além dos 6 episódios da websérie, como um catálogo virtual destacando os impactos das torres nesses estados ; uma exposição fotográfica itinerante que também será apresentada nos estados, e por fim uma carta aberta que será assinada pelas pessoas atingidas pelos parques eólicos, pesquisadores, organizações e representantes de movimentos sociais para que esse debate chegue até o poder público para que medidas urgentes sejam tomadas.