Morre Paul Singer, ícone da Economia Solidária no Brasil

A Economia Solidária perdeu, na noite da última segunda-feira (16), em São Paulo, um dos principais referenciais do país na temática. Aos 86 anos, o economista Paul Israel Singer faleceu em decorrência de uma infecção generalizada. O enterro será realizado na tarde desta terça-feira (17), no Cemitério Israelita do Butantã, localizado na capital paulista. Viúvo, ele deixa três filhos.
Singer é considerado como um dos mais importantes colaboradores na construção do conceito de Economia Solidária, que contempla uma organização produtiva, comercial, financeira e de consumo, baseada no associativismo, na autogestão e na valorização da pessoa humana, sem distinção de patrões e empregados.
A assessora regional das ações de Economia Popular Solidária (EPS) da Cáritas Nordeste 2, Maria Aparecida Mafra, que teve a oportunidade de encontrá-lo, em 2012, em um dos eventos sobre o tema, na cidade de Santa Maria (RS), lamentou o falecimento. “Perdemos um ícone que nos ensinou muito sobre uma economia democrática, que defende a justa distribuição de renda e se contrapõe ao modelo capitalista. Singer era, acima de tudo, um defensor da EPS e, sem dúvida, a morte dele é uma grande perda para toda a sociedade brasileira”.
De origem austríaca, Paul veio com a família para o Brasil ainda criança, em 1940, para fugir do Nazismo. No ano de 1953, ele liderou a histórica greve dos metalúrgicos, integrada por 300 mil trabalhadores, e, no ano seguinte, naturalizou-se brasileiro. Formou-se, em 1959, no curso de Economia pela Universidade de São Paulo (USP) e, em 1964, obteve o grau de doutor em Sociologia pela mesma instituição. Desde então, além de contribuir com as discussões no campo acadêmico, por meio da publicação de livros, Singer também atuou ativamente como militante político, sendo um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores, em 1980, e uma referência em assuntos no âmbito da esquerda.
Em 2003, ele assumiu a Secretaria Nacional de Economia Solidária (SENAES), ligada ao Ministério do Trabalho e Emprego, e permaneceu na função até 2016, quando entregou o cargo devido ao impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Durante o período que esteve na função, Singer defendeu a criação de bancos comunitários como um instrumento para erradicar a miséria no país.
Por Lidiane Santos | Assessoria de Comunicação do Regional NE2
Foto: Reprodução | Fernando Frazão, da Agência Brasil