Projeto em homenagem a Dom Hélder constrói centésima cisterna em comunidade quilombola
O mutirão para construção da centésima cisterna aconteceu como parte da programação da Semana da Solidariedade da rede Cáritas no Brasil
Por trás de uma aparência frágil, castigada pelo sol e pelas longas caminhadas para conseguir água para beber e fazer os serviços domésticos, encontra-se uma mulher forte, batalhadora e mãe de dois filhos. Moradora da comunidade quilombola Guaxinim, situada no município de Cacimbinhas (AL), a agricultora Luzia Gonçalves dos Santos, 43 anos, não escondeu o entusiasmo quando o mutirão de agentes Cáritas chegou a sua casa para construir a centésima cisterna de placa do projeto “100 Cisternas no Centenário de Dom Hélder Camâra”.
“A cisterna vai evitar que eu carregue água na cabeça, porque nós tiramos água dos barreiros que ficam distantes da comunidade, e ainda é muito pesado pra carregar tantos baldes. Eu estou muito feliz por ter agora uma cisterna no quintal da minha casa”, disse a agricultora.
O mutirão para construção da centésima cisterna aconteceu no dia 12 de novembro, data de celebração dos 57 anos de ações solidárias da rede Cáritas no Brasil, e que ocorreu como parte da programação da Semana da Solidariedade que acontece todos os anos, de 5 a 12 de novembro, em todo o país.
A atividade contou com participação de agentes Cáritas do Regional Nordeste 2, entre representantes do escritório regional, das Cáritas Diocesanas de Palmeira dos Índios, Cáritas Diocesana de Penedo, além dos técnicos de campo e das famílias da região. Na ocasião, o mutirão participou da construção de uma cisterna com capacidade paraarmazenar 16 mil litros de água.
A comunidade escolhida para receber a cisterna já é reconhecida pelo governo como quilombola, e é liderada por mulheres que vem lutando pela demarcação da terra. Cerca de 200 famílias moram no local e a maioria não tem onde plantar e acaba dependendo dos trabalhos ofertados pelos fazendeiros da região.
Para a articuladora das ações de economia popular solidária no estado de Alagoas, Maria Mafra, a palavra solidariedade significa estar junto. “É muito importante que o regional esteja próximo das famílias. Pensamos em ajudar a comunidade para trazer um pouco mais de esperança. Partilhar com essas pessoas este momento de construção da centésima cisterna e o aniversário da Cáritas, pra mim é muito gratificante”, disse.
Como forma de agradecimento, a comunidade preparou um almoço com alimentos típicos da região. No cardápio, uma galinhada com fava (leguminosas) foi saboreada por todos. À tarde, foi celebrado os 57 anos da Cáritas com um bolo oferecido pela rede Cáritas de Alagoas. Na oportunidade, os presentes também refletiram sobre o sentido da Semana da Solidariedade.
Ampliação:dando continuidade a parceria entre a Cáritas e o Comitê Betinho, mais 20 cisternas de placa com capacidade de armazenamento para 16 mil litros serão construídas na comunidade. A nova proposta vai priorizar o resgate da cultura tradicional dos povos quilombolas da região. De acordo com o secretário da Cáritas NE2, Pe. Jandeilson Rodrigues Alencar, a ideia é sensibilizar as famílias para trabalhar a gestão da água para consumo humano e cozinhar, bem como apostar na produção de alimentos, com foco nos quintais produtivos.
“O nosso desafio é organizar os quintais para que se tornem produtivos e, a partir daí envolver as famílias na construção de pequenas hortas, plantio de fruteiras e a farmácia viva (canteiros de plantas medicinais), que ajudem na produção e consumo de alimentos pelas famílias”, explicou o secretário da Cáritas NE2.
Ainda segundo Pe. Jandeilson, a proposta de agregar alimentos e água “faz com que a gente (Cáritas) trabalhe o combate a fome e a pobreza, principalmente em regiões como essa aqui no estado de Alagoas”.
Por Kilma Ferreira | Assessora de Comunicação da Cáritas NE2.