Projeto Fortalecimento Econômico de Jovens Rurais do Semiárido retoma atividades no município de Bom Conselho

A Cáritas Regional Nordeste 2 retomou, no mês de agosto, as atividades do Projeto Fortalecimento Econômico de Jovens Rurais do Semiárido, no município de Bom Conselho, agreste de Pernambuco. Com execução da Cáritas Diocesana de Garanhuns, o projeto atua nas comunidades quilombolas de Barra do Brejo, Amargoso, Angicos e Sitio Flores, atendendo 80 jovens rurais dessas localidades.
O projeto tem como objetivo promover o protagonismo comunitário dos jovens rurais para influenciar no desenvolvimento e implantação de políticas públicas que propiciem a permanência dos jovens no campo, principalmente contribuindo na formação permanente e sistemática de conhecimento. Outro viés importante do projeto é o empoderamento econômico das mulheres, já que o público beneficiado é 80% feminino, algumas são mães de família que dependem financeiramente de familiares ou do companheiro.
Por conta da pandemia do novo coronavírus, algumas atividades programadas para o modelo presencial foram reformuladas para o formato remoto, como a apresentação do projeto, aplicação do diagnóstico rápido participativo (DRP), e um encontro sobre o Estatuto da Juventude.
A assessoria técnica, cumprindo todas as medidas de segurança recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Plano de Contingência da Cáritas Brasileira, começou a realizar na última semana as visitas para cadastro dos jovens. O projeto também prevê a realização de oficinas on-line sobre Protagonismo Juvenil e Liderança, Cidadania, Gênero e Direitos Humanos, além de capacitações para a implementação de projetos produtivos e empreendimentos econômicos solidários. O projeto tem a duração de dois anos, e conta com a parceria da instituição espanhola Manos Unidas.
A ação pretende sensibilizar as juventudes do campo sobre uma problemática muito comum nas áreas rurais do nosso país: o êxodo rural dos jovens para os grandes centros urbanos. Muitas vezes por falta de incentivo e de oportunidades, os jovens trocam as pequenas comunidades do interior pelas cidades médias e grandes, na maioria dos casos sem nenhuma informação, proteção e preparo.
Os dados demográficos sobre a população brasileira demonstram a continuidade do processo migratório campo-cidade, como na década de 70, onde a população rural do Brasil tinha aproximadamente 41 milhões de habitantes (44,1%), e em 2010, atingiu a marca de 29,8 milhões de habitantes (15,63%).
“Os jovens estão ansiosos para realizarem as atividades, além de estarem otimistas com a possibilidade de terem seu projeto produtivo colocado em prática, gerando uma renda própria para eles e suas famílias, e diminuindo assim a possibilidade de irem buscar algo fora de suas comunidades. É um processo de formativo que colabora para a emancipação econômica e social dessa nossa juventude rural”, reforça Williana Alves, supervisora de campo da Cáritas Diocesana de Garanhuns, responsável pelo acompanhamento dos jovens neste projeto.